Nota oficial de posicionamento público sobre o projeto de lei 1584/2025

Laramara e Jacques Janine realizam 5ª edição do projeto Muito Além da Beleza

Mulheres com deficiência visual aprendem automaquiagem no projeto Muito Além da Beleza, elevando autoestima e independência.
Close de um rosto feminino, com destaque para os olhos, que estão delineados com traços finos. Na pálpebra direita, pincel faz esfumeado com sombra lilás.

Mulheres com deficiência visual resgatam autoestima com curso de automaquiagem

Para muitas mulheres, aplicar cílios postiços ou fazer um delineado perfeito pode ser um desafio. Imagina, então, conseguir realizar a maquiagem sem enxergar? Na 5ª edição projeto Muito Além da Beleza, iniciativa social lançada com pioneirismo no Brasil pela Laramara – Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual e pela rede Jacques Janine, mulheres cegas e com baixa visão aprendem todos os segredos da produção do make e resgatam autoestima.

Realizado às quartas-feiras, entre 21 de março a 18 de abril, das 9h às 11h, na sede da Laramara (rua Conselheiro Brotero, 338, Barra Funda), zona oeste da capital, o curso já formou gratuitamente mais de 60 alunas com deficiência visual assistidas pela ONG. Na nova edição, as aulas são divididas em cinco etapas, com técnicas desenvolvidas pela maquiadora Chloé Gaya, do Jacques Janine, para atender às necessidades do público com cegueira ou baixa visão – desde a preparação da pele, passando pelas funções dos produtos, a combinação de cores, até truques de como delinear os olhos e aplicar cílios postiços.

Escolhida para comandar a 5ª turma, Regina Maura, maquiadora do Jacques Janine, acredita que o projeto é uma oportunidade de autoconhecimento e valorização. “É enriquecedor ensinar as participantes os segredos para independência na maquiagem, superando desafios e gerando autoconfiança. A cada edição, conseguimos desmistificar estigmas e preconceitos para evidenciar a mulher com deficiência visual no país”, comenta.

Como funcionam as aulas

A primeira aula do projeto começa com o exercício de mapear o próprio rosto para identificar os traços por meio da experiência tátil, o que contribui para a adaptação das técnicas de maquiagem aplicadas durante as aulas. Desta forma, as participantes entendem qual é a região correta para o uso do blush ou o limite que a sombra pode chegar ao côncavo.

Para facilitar a compreensão e a diferenciação dos cosméticos e dos pincéis, os produtos são identificados em braille, sistema de leitura e escrita dos cegos, e com legendas ampliadas para quem tem baixa visão. Nesta ação, a iniciativa conta com o patrocínio da Vult Cosméticos, que doou os itens de make, e o apoio da KISS New York, empresa responsável por oferecer cílios postiços.

Sobre o Jacques Janine

Fundado em 1958 pelo casal francês Jacques e Janine Goossens, o Jacques Janine é primeira rede de salões de beleza da América Latina. Atualmente, a rede possui 62 unidades espalhadas em 8 estados brasileiros – São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Bahia e Pernambuco – que reúne equipes treinadas com excelência no atendimento, e preza pela qualidade dos produtos utilizados e nos serviços diferenciados. A rede de salões Jacques Janine realiza mais de 2 milhões de atendimentos por ano, o que já lhe rendeu reconhecimento nacional e internacional. Hoje, a marca está entre as empresas mais sólidas e rentáveis do Brasil, sendo reconhecida com prêmios do segmento.

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Uma resposta

  1. Participei deste projeto como aluna e foi uma experiência incrível.
    É muito bom desmistificar mitos que às vezes nós mesmos colocamos.
    nós podemos fazer quase tudo que outras pessoas que não têm limitações, fazem,
    Apenas temos que fazer de outras maneiras e levamos um pouquinho mais de tempo.

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Nota oficial de posicionamento público sobre o projeto de lei 1584/2025

A Laramara, Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, vem a público manifestar-se contrariamente ao Projeto de Lei nº 1.584, de autoria do deputado federal Duarte Júnior, do PSB do Maranhão.

Embora seja apresentado como uma mera junção das leis já existentes em um único dispositivo jurídico, o projeto fere gravemente o princípio do não retrocesso, pois implica a rediscussão rasa e apressada de inúmeros direitos já conquistados pelas pessoas com deficiência, além de ser eivado de equívocos, tais como:

  • Pela Grave omissão quanto ao acesso e permanência a direitos assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a previdência especial para pessoas com deficiência;
  • Por fragilizar o direito de acesso ao trabalho para a pessoa com deficiência;
    Por retroceder no direito à comunicação acessível, como o uso de Libras, legendas, audiodescrição, entre outros recursos;
  • Por representar grave ameaça ao direito à educação inclusiva e à formação continuada dos educadores para todas as pessoas com deficiência, independentemente de suas especificidades;
  • Por desconsiderar todo o processo histórico e a importância da Lei Brasileira de Inclusão, construída ao longo de 15 anos de diálogo e ampla participação social;
  • Por desconsiderar o lema “Nada sobre nós sem nós”, ignorando o clamor contrário da maioria das pessoas com deficiência, de seus familiares e de especialistas em inclusão e acessibilidade que, inclusive, ficou nítido na própria Audiência Pública, realizada na última semana no Congresso Nacional.
  • Pelas pessoas com deficiência, familiares, movimentos e instituições que tanto lutaram por uma sociedade mais justa e inclusiva e pelos milhões de pessoas com deficiência que necessitam desses direitos, a Laramara rechaça essa proposta e apela ao bom senso dos excelentíssimos legisladores, pelo arquivamento imediato do Projeto 1584. Respeitem nossas conquistas, respeitem nossa história, respeitem nossa participação e opinião.